Vida Sustentável: práticas cotidianas de consumo

EMENTA
Nas duas últimas décadas, o tema da sustentabilidade socioambiental tornou-se central nas sociedades contemporâneas. O impacto da emissão de gases de efeito estufa, o consumo de água e energia não renovável, a perda de biodiversidade, a necessidade de redução e reciclagem de resíduos, entre tantos outros temas, passaram a ser objeto de acordos internacionais, de políticas públicas, de iniciativas empresariais, de reportagens da grande mídia, de ações de movimentos sociais e de acaloradas discussões no meio acadêmico. Hoje já há certo consenso de que mesmo com mudanças dramáticas nas políticas públicas, nas tecnologias produtivas e nas fontes energéticas, grande parte dos impactos ambientais permanecerá, uma vez que são produzidos também na esfera doméstica, ou seja, na forma como os recursos naturais e a energia do planeta são usados por uma classe consumidora global de 1,7 bilhão de pessoas espalhadas por todos os continentes. Isso significa que a sustentabilidade precisa ser pensada, mais do que nunca, a partir do consumidor final. Vida sustentável (sustainable living) é o conceito que sintetiza esta relação entre práticas de consumo cotidianas e sustentabilidade. Tal conceito inclusive nos obriga a recolocar em questão as próprias relações entre consumo e produção. Entretanto, a tarefa de redefinir e mudar práticas sociais é mais complexa do que campanhas e políticas públicas podem nos levar a crer. Práticas constituem-se em discursos e fazeres que se desenvolvem, se associam e se desmembram em novas práticas, cada uma implicando em novas formas de consumo.

O VI Encontro Nacional de Estudos do Consumo e o II Encontro Luso-Brasileiro de Estudos de Consumo têm como objetivo central discutir, tanto teórica quanto metodologicamente, o conceito de Vida Sustentável, além de analisar, de um ponto de vista sociológico amplo e distanciado, as práticas sociais e estilos de vida que constituem o viver na sociedade contemporânea. Trabalhos empíricos sobre práticas domésticas, consumo de água e energia, mobilidade urbana, transporte e logística, uso e adoção de tecnologias ecológicas na esfera doméstica, sobre o morar e sobre novas formas de articular a produção e o consumo, entre outros temas, serão de grande interesse, bem como a própria concepção simbólica e prática do que é “viver de forma sustentável” na sociedade contemporânea.