PROGRAMAÇÃO

Acesse o folder do evento AQUI e consulte o local aonde será o credenciamento, informações gerais sobre coquetel e lançamento de livros, mesa redonda e assembléia geral.

1º dia – 24/09/14

09h às 10hMesa de Abertura

Instituições Promotoras e Comissão Organizadora

10h às 13hConferência de Abertura: Mercados contestados – Aspectos Teóricos.

Philippe Steiner (Université Paris-Sorbonne/França)

Mediador: John Wilkinson (CPDA/UFRRJ)

14h às 18hGrupos de Trabalho – 1ª Sessão

19h às 22hCoquetel e lançamento de livros.

2º dia – 25/09/14

09h às 13hMesa Redonda: “Mercados Contestados – As novas fronteiras da moral, da ética, da religião e da lei”

MEDIADORA: Livia Barbosa (Puc-Rio)

Lúcia Helena Alves Müller (Puc-RS)- “Negócios na periferia: olhar sobre o desenvolvimento do comércio de bens e serviços em uma comunidade carioca no contexto da implementação de “políticas de pacificação””

RESUMO DA PALESTRA: No decorrer dos últimos anos, algumas regiões da cidade do Rio de Janeiro foram alvo de inúmeras intervenções do poder público que se articulavam em torno da proposta de “pacificação”, isto é, da tomada do controle pelos agentes do Estado de territórios então dominados por organizações ligadas ao tráfico de drogas. A partir de um trabalho etnográfico realizado junto a uma dessas regiões foi possível perceber que, concomitante à implementação dessas ações, houve um incremento do comércio local de bens e serviços. Meu objetivo aqui é analisar as características desses novos empreendimentos econômicos e apontar as prováveis conexões entre o seu desenvolvimento e a presença/ausência/insuficiência do poder público na região. Também busco problematizar a questão da definição das fronteiras entre a legalidade/formalidade/legitimidade e a ilegalidade/informalidade/ilegitimidade desses empreendimentos, considerando o ponto de vista de diversos segmentos da população local, assim como a visão de agentes do Estado e de instituições financeiras ali presentes.

Nadya Araujo Guimarães (DS/USP e CEM/Cebrap) - “Casa e mercado, amor e trabalho, natureza e profissão: controvérsias no processo de mercantilização do trabalho de cuidado/care”.

RESUMO DA PALESTRA: Nesta intervenção tomarei o trabalho do “cuidado”/”care” como domínio empírico a partir do qual construirei a reflexão. Procurarei ilustrar dois
argumentos, observando o entendimento sobre o trabalho de cuidado a partir da sua imersão em diversas situações – se exercido na casa ou fora
dela, no quadro de uma relação compulsória ou profissional, gratuito ou remunerado.
Em primeiro lugar, arguirei que a atividade de “cuidado com/do outro” (“care”) é um rico domínio para refletirmos sobre as controvérsias inerentes ao processo de mercantilização de um determinado bem ou serviço. Apoiada no pensamento, já clássico e seminal de Igor Kopytoff, assumirei que mercantilizar é um processo de atribuição de marcas culturais, responsáveis por levar os indivíduos a reconhecerem um bem ou serviço como mercadoria. Enquanto processo, ele tem o dom da reversibilidade; enquanto construção social, ele é sempre passível de contestação.
Por isso, em segundo lugar – e partindo da reflexão contemporânea (e não menos instigante) de Philippe Steiner -, procurarei ilustrar como a
controvérsia em torno do trabalho do cuidado, no sentido da sua contestação moral, pode ser relevante para os estudiosos dos mercados (e não somente na forma ordinária da controvérsia acadêmica, de resto abundante e rica, entre as feministas).
Isso porque, entender o trabalho profissional de cuidado requer enfrentar o embaraçoso tema dos investimentos emocionais (a questão do “amor pelo beneficiário/ amor ao idoso”… ), que marca as relações sociais de trabalho tecidas na intimidade, tal como tão bem ilustrado por Zelizer, Hochschild, Molinier ou Parreñas em suas pesquisas, só para citar algumas, em diferentes latitudes. Esse é o ponto em que a controvérsia ao redor do trabalho de cuidado toca o debate sobre os chamados “mercados contestados”: o “amor”, enquanto investimento emocional, não deveria estar associado a um trabalho “verdadeiramente profissional”, dirão o/as gestores/as do trabalho do/as cuidadores/as, contrariando o discurso corrente entre esses/as.
Afinal, a relação de serviço, tal como expressa no trabalho profissional de cuidado, se constitui num domínio em que a logica econômica penetra uma
esfera “sensível”, parafraseando Steiner, que é a da intimidade. Razão para tal é correntemente buscada no fato de que o trabalho do cuidado, tornado uma profissão, ou tal como se exerce no mercado (ou deveria ser exercido, sublinho o que fica subjacente) deveria libertar-se da forma/figura fundante do “amor materno”. Esta se associa ao cuidado como naturalizado, como “ feminino”, como atribuição de mulheres. Ao trabalho de cuidado exercido sem remuneração, sob uma relação compulsória, no “lar”, um domínio regido pelo sentimento, e onde não haveria lugar para o interesse. Quando exercido sob essa forma, se supõe que os investimentos emocionais estão dissociados do comportamento econômico, tanto quanto se supõe devam a ele estar associados quando o cuidado se presta sob uma forma mercantil.
Essa controvérsia primeira, constitutiva das narrativas e percepções acerca do trabalho do cuidado – isto é da natureza da relação de trabalho que sustenta a relação de serviço de cuidado – faz deste um domínio de notável pertinência para refletirmos sobre o valor heurístico da perspectiva de análise dos mercados atenta à disputa e à contestação de ordem moral que subjaz ao processo de mercantilização.

Mauricio Reinert (UEM)“Mercados tóxicos e bens de mérito: perspectivas alternativas de análise da regulamentação  Publicitária de alimentos para crianças”.

RESUMO DA PALESTRA: O debate sobre a regulamentação publicitária da propaganda para crianças tem crescido nos últimos anos. Mais de 180 projetos de lei tramitam no Congresso Nacional com intuito de regulamentar, limitar ou organizar a publicidade para crianças. O mainstream da teoria econômica tem sido utilizado como fundamento para defender a auto-regulamentação publicitária em vez de uma regulação por meio do Estado. De outra parte, defensores da regulamentação por meio do Estado argumentam que as consequências da propaganda sobre as crianças são por demais prejudiciais para deixar que o mercado, por meio das próprias empresas e de agências privadas, faça a regulamentação. O objetivo desse trabalho é apresentar e discutir duas diferentes alternativas ao mainstream da teoria econômica para se analisar a regulamentação publicitária. A primeira perspectiva alternativa é a dos mercados tóxicos. Esses mercados causam externalidades negativas para sociedade, tão negativas que não se deveria permitir a sua existência. Essas externalidades negativas não são geradas por falhas de mercado. Muito pelo contrário: quanto mais eficientes os mercados tóxicos, piores os efeitos de suas externalidades negativas. Diferentemente da abordagem da Nova Economia Institucional, que sugere que mecanismos institucionais possam resolver as falhas de mercado e voltar a deixá-los eficientes, sob a perspectiva dos mercados tóxicos, corrigir suas falhas e deixá-los mais eficientes apenas agravaria o problema. A segunda perspectiva é a dos bens de mérito. Bens de mérito seriam bens tão dignos, tão louváveis, seria tão importante o seu consumo que, quando as autoridades competentes acreditam que o seu nível de consumo não é suficiente e deveria aumentar interferem nas preferências individuais do consumidor. O conceito de bens de mérito define também o seu oposto, o conceito de bens de demérito, os quais são tão indignos, que as autoridades deveriam criar mecanismos para diminuir ou banir o seu consumo. Esses conceitos de bens de mérito e de demérito implicam uma interferência na soberania do consumidor individual, pois a definição do que é digno e louvável, ou indigno e condenável, é um julgamento de valores que não é feito por esse consumidor. Essas duas perspectivas podem iluminar a discussão sobre a publicidade de alimentos para crianças tendo como base uma discussão mais ampla do conceito de mercado e uma visão mais social da ação econômica.

14h às 18hGrupos de Trabalho – 2ª Sessão

3º dia – 26/09/14

09h às 10hAssembleia Geral da Associação Nacional de Estudos do Consumo

Premiação “Melhor Paper VII Enec”

10h às 13hConferência de Encerramento: Mercados contestados – aspectos metodológicos e

resultados de pesquisas.

Philippe Steiner (Université Paris-Sorbonne/França)

Mediador: Tomas Ariztia (UDP – Chile)

14h às 18hGrupos de Trabalho – 3ª Sessão


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