GRUPOS DE TRABALHO

GT 01: Politização e ambientalização do consumo.

GT 02: Consumo, Inclusão Social e novas Configurações Subjetivas.

GT 03: Estética, Moda e Design.

GT 04: Globalização e Circulação de Bens e Pessoas.

GT 05: Tendências do Consumo Alimentar.

GT 06: Consumo, mercado, comunicação e sociedade.

GT 07: Dez anos após o lançamento do Orkut: sentidos e apropriações das plataformas sociais online hoje.

GT 08: Mercados Contestados.

Ementas:

GT 01: Politização e ambientalização do consumo
Coordenadores: Tomas Ariztia (UDP – Chile), Fabián Echegaray (Market Analysis – Brasil)

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O GT pretende estimular a reflexão e o debate acadêmicos sobre a relação entre consumo, política e meio ambiente. Tal relação está contida tanto nos processos de politização, ideologização e ambientalização do consumo, quanto na análise das práticas cotidianas de consumo com implicações diretas para a questão da sustentabilidade. Os processos acima mencionados podem ser observados em campanhas, discursos e práticas de consumo que intencionam expressar e materializar valores, influenciar e pressionar atores e políticas públicas e ampliar os repertórios de participação e ação política, seja interpelando o consumidor individual, através do seu poder de compra e escolha, seja através das agendas de “velhos” e “novos” movimentos sociais, incluindo os chamados “movimentos sociais econômicos”. A pluralidade destes processos abre um leque amplo de manifestações que inclui práticas de consumo responsável/sustentável/ético, cooperativas de consumidores de alimentos orgânicos, ciberativismo de denúncia contra marcas e organizações, boicotes, práticas de consumo visando a apoiar causas (shopping for change, causumers), comunidades mobilizadas ao redor de estilos de vida como “simplicidade voluntária” e slowfood e movimentos veganistas.

Por outro lado, fruto de inovações teóricas tais como o chamado “practice turn” nos estudos do consumo (Warde, 2005), os cientistas sociais têm explorado o tema do consumo sustentável a partir de análises sobre seu enraizamento em práticas comuns do dia-a-dia. Essa abordagem tem se concentrado, por exemplo, em examinar se e como as propostas de consumo sustentável são incorporadas nas práticas rotineiras da vida concreta dos cidadãos, na infraestrutura de provisão de produtos e serviços, na inovação tecnológica e na construção de novas convenções de normalidade.

Várias questões norteiam esse debate: o que essas diferentes expressões revelam sobre o caráter do consumo e o papel dos consumidores nas sociedades contemporâneas? Até que ponto elas mudam aspectos substantivos de processos de empoderamento individual e coletivo? Qual a natureza e o impacto destas expressões sobre a sociedade, seus atores e a agenda pública? Qual o contexto sociocultural que permite o surgimento desses fenômenos e quais as peculiaridades e motivações dos seus participantes? Como se constroem as convenções cotidianas de normalidade onde é definido e identificado o valor do consumo sustentável e do consumo normal?

Do ponto de vista teórico, torna-se necessário revisar as teorias que buscam explicar as sociedades e culturas de consumo, pois tanto as teorias “denuncistas” quanto as mais “positivas” apresentam sinais de desgaste e falhas explicativas. Para avançar o debate, este GT dará prioridade a trabalhos acadêmicos baseados em problematizações teóricas, estudos de caso e análises de dados empíricos conectados com os desenvolvimentos da teoria social e política.

GT 02: Consumo, Inclusão Social e novas Configurações Subjetivas
Coordenadoras: Sarah Silva Telles (PPGCIS/PUC-Rio) e Maria Isabel Mendes de Almeida (PPGCIS/PUC-Rio).

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O século XXI apresenta um novo cenário para muitas sociedades latino-americanas – e especificamente para a sociedade brasileira: as políticas de inclusão social de milhões de brasileiros ocorrem prioritariamente via consumo. Este fenômeno instiga os pesquisadores a compreender os múltiplos impactos nas esferas – econômica, política, social, cultural e subjetiva. As famílias populares – e especificamente os jovens das camadas populares – ressignificam as possibilidades de reconhecimento e o desejo de consumir, que pode se traduzir em realização e solidariedade, bem como em frustração e conflito. Quais são as práticas de consumo específicas das camadas populares e em que medida tais práticas se chocam com a profunda segregação existente em nossas cidades? Quais os novos dilemas que surgem a partir da relação entre esse aumento exponencial no número de consumidores e a agenda dos direitos?

Levar em conta o registro da subjetividade nos padrões de consumo jovem significa atentar para o plano das singularidades dos sujeitos quanto às formas de apreensão e significação da cultura material. Ou seja, tomar o consumo como porta de entrada para a inclusão social nos abre um imenso espectro de abordagens da imaginação, das emoções, da expressão de desejos que estão em pauta em um contexto em que o consumo vem convertendo-se numa espécie de “ideal generalizado”.

E neste sentido destacam-se hoje repertórios de diferenças locais e culturais, sobretudo no universo jovem das camadas populares, que nos permitem “flagrar” novas composições e arranjos da subjetividade. Formas de apropriação muito particulares e criativas da cultura do consumo entre esses jovens contribuem para um importante redesenho dos desejos e da imaginação criativa que, a cada dia, vem desfazendo fronteiras sociais antes alocadas nos setores médios de nossa sociedade e que estão exigindo dos cientistas sociais novos instrumentais de análise e investigação. Este GT pretende discutir tais temas, a partir de trabalhos tanto empíricos quanto teóricos.

GT 03: Estética, Moda e Design
Coordenadoras: Mylene Mizrahi (UFRJ) e Maria Eduarda Guimarães (SENAC)

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Dando continuidade às discussões que realizamos neste GT no ano de 2012, queremos somar à reflexão sobre a moda suas relações com a estética e o design.A noção de estética vem sendo reconceituada nos últimos anos de modo a se afastar cada vez mais de uma definição que a remeta somente às qualidades formais de um objeto material para recuperar a relação entre a forma e o conteúdo. Dessa perspectiva, a utilidade de um bem não é menos relevante do que sua “beleza”. O que temos cada vez mais é a união entre forma e conteúdo e a vinculação entre estética e ética. Neste GT propomos problematizar esta questão em torno de dois temas específicos: a moda e o design, a partir de objetos produzidos ou não em contexto industriais.

Podemos abordar a moda de um olhar mais estabelecido, que nos conduz a discussões sobre representação, teorias distintivas, signos e símbolos de status, como podemos também pensá-la a partir de sua materialidade, focando sobre suas qualidades físicas e seus processos de fatura e criação. Dessa perspectiva, pensar em modismos nos possibilita pensar também em inovações, que surgem como derivações de uma indústria do design e da criação. Pensar a criatividade na moda produzida em contextos industriais, para além da reprodutibilidade e da cópia, enseja uma discussão em torno da produção como mediada pelo projetar. Por meio de processos inventivos, inovações e novas linguagens e tendo como ponto de partida o material e o corpo, e ainda as identidades do consumidor e das marcas, busca-se encontrar novas soluções estéticas.

Por outro lado, ao chamarmos atenção para a materialidade da roupa, da indumentária, dos adornos e tecidos colocamos no centro da análise as relações que o objeto estabelece com o corpo e suas demandas. Dessa perspectiva, moda poderá referir-se às estratégias de apresentação e representação do self, podendo remeter tanto a modos, etiquetas e outros códigos de conduta social como às discussões sobre gênero e em torno da corporalidade. Moda poderá suscitar tanto uma discussão sobre sustentabilidade, reciclagem, comércio de roupas de segunda mão, quanto uma reflexão sobre o lugar da opulência e do descarte.

Notando que a discussão sobre o fenômeno da moda abrange estas e outras dimensões, este GT acolherá discussões que envolvam a moda e o design nos diferentes temas apontados acima, como criatividade, materialidade, símbolo, produção de gostos e estéticas, corpo, gênero, arte, cópia, circulação, agência, consumo, identidades culturais, sustentabilidade, descarte, visibilidade, inclusão social. Propomos uma discussão em torno do consumo que não deixe de lado a sua produção, entendendo que toda atribuição de sentido é resultado dos usos que as pessoas fazem dos bens.

GT 04: Globalização e Circulação de Bens e Pessoas
Coordenadoras: Marta Rosales (ICS-UL – Portugal) Monica Truninger (ICS-UL – Portugal)

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Os movimentos de pessoas ao longo da história implicaram sempre o movimento de coisas. Das malas de viagem aos objetos capazes de transportarem pertenças culturais e territoriais, das lojas de produtos “da terra” aos fluxos constantes de mercadorias entre os diversos espaços de pertença, dos cheiros e sabores “da saudade” às aprendizagens e incorporações de novas práticas, a circulação de bens e pessoas constitui um terreno particularmente interessante para discutir a materialidade e o consumo contemporâneos. Este GT tem como objectivo explorar as suas potencialidades analíticas e os desafios teóricos que a partir dele se enunciam.

Partindo do pressuposto que os movimentos contemporâneos encontram na materialidade e no consumo um terreno expressivo e constitutivo, este workshop pretende: a) discutir em que medida as rotas percorridas pelas pessoas e pelos objetos se intersectam e se constituem mutuamente; b) explorar as modalidades a partir das quais os objetos viajam: os meios que são usados, as políticas de intermediação, os agentes implicados; c) avaliar a composição dos fluxos de objetos em movimento (que objetos percorrem que trajetos, com que finalidade e intensidade) e os tempos em que estes movimentos ocorrem; d) discutir o papel da cultura material na gestão das redes sociais e as suas implicações na gestão de pertenças, quer na origem quer nos destinos; e) observar os impactos locais das movimentações globais de pessoas e de coisas e discutir a sua participação na constituição de novas modalidades de consumo e relacionamento com a materialidade.

GT 05: Tendências do Consumo Alimentar
Coordenadoras: Renata Menasche (UFPEL e PGDR/UFRGS – Brasil) e Janine Collaço (UFG – Brasil)

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Sentidos e valores são materializados nas práticas alimentares. As decisões de consumo alimentar se deparam, hoje, com novas questões, referentes a aspectos morais, éticos, ambientais, religiosos, que interrogam não apenas o comer enquanto ato rotineiro ou emblemático, mas também a construção de novos mercados e a orientação de políticas públicas dirigidas à produção e consumo de alimentos. É nesse quadro que este Grupo de Trabalho pretende estimular o debate em torno das tendências do consumo alimentar, convidando a olhar especialmente para novos aspectos referentes à comida e seu consumo, a exemplo dos que envolvem significados associados à religião, abate de animais, uso do solo, desigualdades sociais, mercantilização de práticas tradicionais, entre outras.

GT 06: Consumo, mercado, comunicação e sociedade
Coordenadores: Eduardo Ayrosa (PPGA/Unigranrio – Brasil). Isleide Arruda Fontenelle (FGV/EAESP – Brasil)

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Se entendermos o consumo como relacionado à produção e reprodução de significados na sociedade, sua posição nos mercados é a de completa imbricação. Há consenso em estudos de consumo sobre o contínuo movimento de realimentação simbólica entre os setores de produção e os consumidores. No entanto, é necessário refletirmos sobre a constituição de vozes dominantes entre produtores e consumidores, principalmente na presença das novas mídias. A posição do consumo em novas narrativas e práticas pode levar a uma redefinição dos mercados, seja em suas formas, seus escopos, ou no seu papel na construção destas narrativas e práticas de consumo. Narrativas e práticas que há anos atrás seriam consideradas socialmente, culturalmente ou moralmente inaceitáveis, hoje vão se integrando ao horizonte de possibilidades nos mercados. As práticas de marketing, assim como práticas e narrativas de consumo e comunicação, respondem a este novo panorama ético de formas diversas, ora favoráveis, ora resistentes. O interesse principal deste grupo de trabalho é analisar estas narrativas e práticas de comunicação, marketing, consumo, e a forma como elas afetam sociedade e mercados. Mais do que colecionar descrições de ações de empresas ou consumidores, é interesse deste grupo refletir sobre estas práticas e narrativas de forma crítica, inventiva e desafiadora.

GT 07: Dez anos após o lançamento do Orkut: sentidos e apropriações das plataformas sociais online hoje
Coordenadoras: Laura Graziela Gomes (PPGA/NEMO/UFF – Brasil). Tania Freitas (UFRN – Brasil)

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Nunca se falou tanto em rede social online como em 2013, durante as manifestações de protesto de junho. Temas como ciberativismo e relevância política dessas redes vieram à tona e tornaram-se objetos de reflexão na academia, na imprensa tradicional e nas próprias redes sociais, como Facebook, Twitter e em Blogs. Houve uma corrida para tentar construir uma interpretação e compreensão do que estaria ocorrendo no país naquele momento e qual teria sido, nesse cenário, o papel da veiculação de informações, protestos e mobilização via redes sociais.

Nesse momento, muitos dos que até então teciam severas críticas de cunho moral às redes, apontando para seu caráter alienante, narcísico, fútil, marketeiro, politicamente estéril, dentre tantas outras acusações, começaram a enxergar nelas algum potencial positivo. Porém, isso não foi unânime nem encerrou as controvérsias valorativas sobre, afinal, do que se tratam essas plataformas digitais online, controvérsias essas que, frequentemente, chegam às raias do pânico moral. O Facebook, por exemplo, que alcançou enorme sucesso no país (e no mundo) tem sido frequentemente acusado de produzir efeitos psicológicos negativos nos seus usuários, como depressão, inveja etc. A mais comum dessas acusações é o vício, recorrente desde os primeiros meses de sucesso da rede social Orkut no Brasil e também comum nas discussões sobre jogos eletrônicos. No terreno específico do consumo, as redes – especialmente, os blogs e fóruns sobre produtos e serviços – têm sido acusados de emulação do consumismo, uma categoria que em si mesma já é acusatória. (…)

Diante do exposto, o objetivo do presente GT será acolher trabalhos interessados em fazer algum tipo de comparação entre o ontem e o hoje das redes sociais no Brasil. Pretende-se com isso pensar o papel dessas redes – “o orkut há dez anos atrás e as redes popularizadas depois dele, como Facebook e Twitter, nos dias de hoje” – para o fortalecimento do debate público no Brasil, como parte do processo de redemocratização da sociedade e como uma alternativa de espaço e de esfera pública.

GT 08: Mercados Contestados
Coordenadores: John Wilkinson (CPDA/UFRRJ – Brasil) e Lívia Barbosa (PUC/Rio – Brasil)

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“Tudo a Venda” capta uma visão geral do avanço aparentemente avassalador do mercado para todos os aspectos da vida, tanto social quanto pessoal. Hochschild, no seu livro The Outsourced Self, mostra como os nossos dias são caracterizados pela mercantilização de relações pessoais e emocionais. Philippe Steiner, por sua vez, explora a forma com que os avanços na medicina estão abrindo novas combinações de dádiva e de mercantilização em torno de transplantes, um tema inicialmente analisado em relação à doação ou venda de sangue. Esses avanços do mercado em novas áreas de sociabilidade levantam uma série de questionamentos éticos sobre os seus limites e efeitos. Viviana Zelizer tem mostrado a força de convicções morais e religiosas em bloquear o avanço de determinados mercados. Ao mesmo tempo, ela mostra como práticas sociais podem assegurar que a mercantilização não esmague relações sociais e pessoais. Por outro lado, influenciados pelos escritos de Polanyi, vários autores identificam áreas econômicas que são organizadas na base da reciprocidade. A economia solidária é uma expressão importante dessa dinâmica. Novos valores em relação ao meio-ambiente, bem-estar animal, e condições sociais de trabalho também desafiam o funcionamento “padrão” dos mercados. Sejam dilemas provocados pelo avanço do mercado em novas áreas do corpo e da alma, contestações baseadas em valores tradicionais, éticos ou religiosos, ou demandas para padrões mais altos para o seu funcionamento, o mercado hoje é sujeito a múltiplas contestações e questionamentos. Esse GT convida trabalhos sobre esse amplo leque de temas que explora essa fronteira movediça nas formas aceitáveis de mercantilização e nas combinações de entre dádiva, reciprocidade e relações de mercado.


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